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Era um domingo de sol. As ruas da vila estavam a borbulhar de turistas. Entrei na Sapa para a minha habitual tarde de requeijão e estrear o visitante na degustação da queijada. “Também há travesseiros”, disse o meu amigo cuja primeira visita a Sintra foi imaginário, guiado pelos sabores. “Muito boa esta queijada” e continuou a tecer comentários sobre a iguaria, mas eu tinha sido puxada duas mesas a frente. Não propriamente por aquilo que estava a ser dito, mas pela paixão como estava a ser dito.

3. Sensação de salvar a vida de alguém

Olhei indiscretamente para a jovem que estava sentada de frente comigo a falar. Pareceu-me cruzar-lhes os olhos, mas ela não reagiu, como se estivesse a degustar cada trago da sua palavra. Aparentou-me para lá dos 30.  Havia uma escala de entusiasmo em tudo o que ela dizia, que contagiava o ar e todos os que o respiravam. Reparei nas mochilas encostadas ao pé da mesa, “escuteiras”, pensei eu.  Reparei que outras pessoas também estavam atenta à mesa 7. A que estava de frente, exibia umas salientes sardas sobre um tom de pele amarelado, amadurecido pelo sol. A face ligeiramente dura parecia esconder um duro processo de maturação em ações de primeira linha no terreno. A brancura do pescoço da que estava de costas e que escutava também com entusiasmo, sugeriu-me uma rotina em ambiente controlado, imaginei um hospital, uma clinica, um hotel…

A conversa era a volta de pessoas. “A sensação de salvar uma vida é brutal”. Ficou-me esta frase, que corroborou com o meu imaginário, “soldado da paz a resgatar vidas em situações limites.”  Na verdade, não percebi bem o que elas faziam. Percebi apenas que era algo que lhes arrebatava a alma. Voltei a atenção para o meu amigo que queria saber mais sobre Sintra, contagiada com a paixão pelo trabalho de alguém, que nem conheço.

Da última vez que falou com alguém do seu trabalho, qual foi o sentimento associado?

Qual foi a mensagem que passou às pessoas de mesa ao lado que eventualmente observaram essa conversa?

2. Sensação de fazer diferença na vida de alguém…

Paula sai de casa as 7.50 para evitar o trânsito. O seu horário oficial de entrada no trabalho é as 10, mas chega sempre as 9.30. “Os meus meninos chegam as 10.00 e tenho que estar lá para os receber. As vezes chegam ligeiramente mais cedo e eu tenho que estar lá para eles”, argumenta quando a mãe reclama do tempo perdido. Paula corrige-a “tempo investido” enquanto  cantarola pela casa, o que deixa as irmãs irritadas e resmungonas “há diferença entre quem trabalha a sério e quem brinca”, dizem elas, referindo-se à Paula. A avó Joana, que visita a família  regularmente já tinha reparado nessa desproporção do humor lá em casa e pressentia que tinha  a ver com o trabalho. Preocupava a muito o cansaço permanente das netas mais velhas, mas não conseguia deixar de pensar no que elas diziam sobre o trabalho da neta mais nova.

  Sentir que sou útil 

 

Numa das suas visitas, a avó convidou Paula para um chá, só as duas. Pediu-a a que falasse do seu trabalho. Os olhos da Paula brilharam e a avó ficou presa no entusiasmo da sua narrativa.  “O João ontem aprendeu a escrever mais uma palavra. Quando eu cheguei lá ele só sabia escrever sapato. Agora já sabe escrever 35 palavras e já sabe escrever a frase “eu gosto de ti”. A palavra que o João mais gostou de aprender foi cas. Sabe, eu vou mais cedo porque as vezes o João vem antes para me contar o que ele aprendeu. Como ele está atrasado em relação a outros meninos, é uma excelente oportunidade para trabalharmos um bocadinho mais as suas necessidades antes de trabalhar em grupo. A professora já notou a evolução dele e já mandou um recado na caderneta a reforçar…”  “O que te faz tão feliz com o teu trabalho”, interrompeu a avó, com receio de ela nunca mais se calar. Fez se silencio. Por segundos, Paula pareceu entrar numa profunda reflexão, como se nunca tivesse pensado nisso antes.  “Sentir que sou útil a alguém, que estou a fazer diferença na vida de alguém, isso é a fonte da minha energia avó”, disse com convicção para ela mesma e para avó, enquanto enxugava as lágrimas da emoção.

1.Contribui para algo superior a mim…

Fátima levantou 30 minutos mais cedo para escrever no seu diário. É um hábito que instalou há um mês quando começou questionar a importância do seu trabalho. Todos os dias Paula chega ao trabalho e cumpre um conjunto de protocolos que lhe entregaram no dia que começou. De vez em quando lembra do que lhe foi dito na formação. “O nosso objetivo máximo é a satisfação do cliente a ponto de ele voltar ou recomendar alguém.  O nosso propósito maior é vender o nosso país lá fora, contribuir para que ele seja um marco de turismo internacional”. Essas palavras ainda não tinham encontrado um encaixe no puzzle dela, sobre tudo quando tinha que resolver problemas na equipa ou clientes menos educados. Começou a sentir-se cansada e a questionar se era isso mesmo que ela queria, “trocar o tempo dela com um salário, ainda que fosse generoso”.  Partilhou o seu anseio com uma amiga, colega do curso, que lhe perguntou o que ela fazia diariamente para se motivar. “Nada”, respondeu ela com a expressão de surpresa, género “é suposto fazer?”

Acordo todos os dias com a missão de…

A amiga  sugeriu-lhe um diário sobre as coisas que lhe a motivam no trabalho e a intenção sobre como queria viver cada dia. Ao fim de 3 semanas da reflexão escrita e contacto com conteúdos sobre o desenvolvimento pessoal, as colegas começaram a achar que ela tinha visto um passarinho azul. Passou a ser positiva e ter sempre uma frase motivadora para quem estivesse a sentir menos entusiasmada. Até as reclamações dos turistas pareciam notas de agradecimento quando resolvidas por ela. Afinal Fátima tinha visto algo, uma outra perspetiva do que faz, o que ela resumiu  em “o meu trabalho contribui para aumentar o turismo no meu país”. Agora Fátima acorda todos os dias com a missão de aumentar o turismo em Portugal, prestando um serviço de excelência aos hóspedes do seu hotel. Qual é o contributo do seu trabalho na sociedade?

Se o que faz arrebata-lhe a alma, tem utilidade para alguém e contribui para algo superior a si, não tem como não ter satisfação profissional.

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