O poder da autoconsciência na performance da liderança

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No processo de influência “não temos o poder de decidir que o outro nos siga. São eles é que têm essa escolha. A influência é uma dádiva que eles nos oferecem. Cabe-nos apenas o poder de decidir se queremos ser ou não o tipo de pessoa que as pessoas seguem” Paulo de Vilhena.

Segundo este autor, estudos dizem que 83% de pessoas bem-sucedidas profissionalmente e com elevado grau de satisfação pessoal conhecem-se bem. Talvez por isso,  o Coach David Carter descreve a autoconsciência como “a nova chave do poder” no campo da liderança e como um pré requisito fundamental para as conquistas pessoais.

Uma das formas de acedermos à consciência de nós mesmos é através do perfil comportamental que dá acesso à nossa personalidade. Ela é formada pelas nossas crenças e valores que estão na base das nossas atitudes e determinam a preferência das nossas escolhas, maioritariamente no domínio da subconsciência.

Segundo Mahatma Gandhi, “as nossas crenças transformam-se em nossos pensamentos, os nossos pensamentos em nossas palavras, as nossas palavras em nossas ações, as nossas ações em nossos hábitos, os nossos hábitos em nossos valores e os nossos valores em nossos destinos.”

Mudar o destino começa na raiz da crença

A chave do poder está na capacidade de mudarmos o nosso destino, o que implica o controlo da base, a crença. Como só controlamos o que conhecemos, o autoconhecimento leva-nos à consciência da nossa programação mental que gera o nosso pensamento dominante e determina a nossa vida.

As crenças são as lentes pelas quais vemos o mundo, a programação que determina todo o nosso funcionamento. Elas são gravações recebidas ao longo da nossa existência fruto da nossa socialização e experiência e nos as aceitamos como verdadeiras. São através delas que atribuímos significados às coisas e reagimos perante os eventos.

As crenças não são boas e nem más, verdadeiras nem falsas, certas nem erradas, são válidas ou não para aquilo que queremos.

Desafio da Liderança

O principal desafio da liderança é a influência, o que implica um apurado inteligência emocional com reflexos nas relações. Uma das chaves da influência humana é nossa capacidade de apreciar genuinamente o outro. Uma vez que “fazer sentido” é uma necessidade base das pessoas, gerar essa satisfação eleva o poder de influência. Estudos mostram que 80% da nossa felicidade vem das nossas relações com os outros e a gratificação que delas tiramos.

Para Paulo de Vilhena, no processo de influência “não temos o poder de decidir que o outro nos siga. São eles é que têm essa escolha. A influência é uma dádiva que eles nos oferecem”, frisando que a nós, cabe-nos apenas o poder de decidir se queremos ser ou não o tipo de pessoas que as pessoas seguem.

Um dos obstáculos invisíveis no processo de influência e limitador do exercício da liderança são as crenças. Elas não são neutras. Trabalham a favor ou contra os nossos intentos. A consciência delas é que nos permite perceber a sua relação com os nossos objetivos. Harv Eker diz que não existe pensamentos gratuitos. Ou nos fortalecem, ou nos enfraquecem. Ou conduzem-nos ou afastam-nos do sucesso“.

Identificar e libertar as crenças limitadoras

Quando as crenças nos impedem de alcançar com sucesso os nossos objetivos, classificamos as de “limitadoras”. Paulo Moreira no seu treino avançado da inteligência emocional, sugere-nos algumas técnicas para as identificar e libertarmos delas.

Observando as nossas narrativas, os nossos pensamentos podemos identificar padrões de crenças, classifica-la como generalizações, foco no negativo, profecia, pensar com as emoções, leitura da mente entre outras.

A generalização é uma crença que cataloga as pessoas por um comportamento registado numa determinada experiência, como se a pessoa fosse o comportamento. Cataloga também um grupo de pessoas pela imagem que se tem de um indivíduo daquele grupo.

Essa crença é facilmente Identificável pela frequente verbalização de expressões: tudo, nada, sempre, todos, nunca.

Focar no Negativo, leva-nos a uma alta carga de pensamento negativo, criando preferências mentais negativas, que orienta o foco para os problemas. Este torna-se facilmente um padrão de pensamento dado a necessidade que o cérebro tem nos proteger de excesso de informação, organizando ficheiros de fácil acesso com os pensamentos e frases recorrentes, para ativação rápida do sistema reticular. Assim, ativa-nos um quadro negativo e passamos a ver sistematicamente os defeitos das pessoas e consequentemente a ativamos a nossa capacidade de crítica.

Como seria as nossas relações se por sistema nos abstivéssemos de criticar, condenar ou de nos queixar dos outros”, questiona Paulo de Vilhena, lembrando que a melhor forma de influenciar é apreciar.

A profecia é uma crença que se manifesta quando estamos perante cenários que achamos que já sabemos o que vai acontecer. Isso condiciona o nosso comportamento e impede-nos de dar oportunidade ao desconhecido. “Eu já sabia” “eu já sei o que vaia acontecer”. Esta crença impede o líder de desafiar a pessoa e aceder ao seu potencial e limita a disponibilidade para descobrir o que não sabe sobre a pessoa.  Haver Eker citando josh Biling diz que “o nosso maior obstáculo é o que já sabemos”. Essa crença impede-nos de desaprender e reaprender caso queiramos ir mais longe. Diz este autor que “os nossos velhos modos de pensar e agir nos conduziram à situação atual”.

A Leitura da Mente é uma crença que nos faz crer que sabemos o que a pessoa está a pensar. Paulo Moreira sugere que saibamos reconhecer as emoções da pessoa, mas já mais o que ela está a pensar. “Sabemos que uma pessoa está aborrecida, conseguimos ler isso na sua expressão verbal e corporal, mas não sabemos a razão disso”. Achar que sim é crer que estamos a ler a sua mente.

Pensar com sentimentos leva o cérebro a ativar as emoções de fuga ou luta em nossa defesa, perante situações de críticas ou desacordo. Moreira alerta pela importância de questionarmos o nosso pensamento dominante, sobretudo quando o resto das pessoas pensarem de outra forma. Essa prática clarifica as ideias e desconstrói as crenças. A melhor forma de fazê-lo, sublinha o formador, é identificar falhas nas crenças, procurando evidências concretas. A falta de evidência é a prova de que não são reais e de que podemos nos libertar delas.

Porque pensamento gera sentimentos, sentimentos gera ações e ações geram resultados, é muito importante sabermos escolher os pensamentos e as crenças favoráveis aos nossos anseios.

As crenças são gravações e nós somos o gravador

Considerando que as nossas crenças e os nossos pensamentos são a gravação e nós o gravador, temos o poder de a qualquer momento alterarmos a gravação para o que realmente quisermos. Assim colocamos as nossas crenças e pensamentos a trabalhar a nosso favor e nunca contra nós, uma prova de que a inteligência emocional é o lubrificador da máquina do sucesso

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