Soft Skills – urgente atualizar nos profissionais entre os 35 e 45 anos

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Fiquei com o coração partido, com vontade de a embalar. O semblante dela expressava uma profunda dor emocional. As outras mulheres confortavam-na com palavras. Nenhuma de nós parecia ter solução para o caso. Aquelas lágrimas intimidavam qualquer uma, quando pensávamos no currículo dela. Alguns olhares expressavam dúvidas e outros curiosidade. Era também visível alguma surpresa. Não sei o que expressava o meu olhar, mas na minha mente martelava uma pergunta, “ um doutoramento não devia preparar-nos para a vida”? A resposta chegou nesse fim de semana. “NÃO”. A formação académica dá-nos competências técnicas, mas não nos preparam para desafios comportamentais, como a resiliência por exemplo, disse a facilitadora.

Chamamos-lhe Julieta. Éramos 20 mulheres entre os 35 e 45 anos, todas licenciadas, sentadas em círculo num retiro de autoconhecimento. Estávamos a partilhar as nossas experiências, quando Julieta irrompeu-se num choro compulsivo. “ O meu trabalho é um inferno e inferniza-me tudo o resto”, disse em jeito de um desabafo explosivo de quem já não aguenta mais.

Julieta era a mais qualificada de todas. A que tinha um cargo mais invejável entre as presentes. Quando ela se apresentou, notou-se um cruzar de olhares entre as que se conheciam, do género “qual é o problema desta? O que está a fazer aqui?”

A facilitadora, pediu-nos que, como Julieta, permitíssemos reconhecer o estado das nossas emoções e de que forma isso interfere na nossa saúde e bem estar. Pediu-nos que encarrássemos a explosão da Julieta como ponto de partida para a mudança.

Gestão das emoções e desenvolvimento dos Soft Skills

Explicou-nos que existem duas situações:

A de supressão das emoções, que ocorre quando ignoramos por muito tempo a nossa insatisfação perante algo, ilustrando isso com a figura do carteiro com uma multa, a quem recusamos abrir a porta, mas a multa não desaparece por a termos ignorado. Muito pelo contrário, cresce e, mais cedo ou mais tarde, pagamos com enormes juros.

Um acumular de descontentamento recorrente tem um efeito explosivo, tanto na nossa saúde como nas nossas relações, disse a facilitadora, sugerindo que olhássemos com mais atenção as nossas emoções e que avaliássemos a nossa inteligência emocional, sobre tudo no trabalho. (Teste de avaliação da inteligência Emocional no trabalho)

A segunda situação, referia-se às mudanças no mundo profissional percepcionadas através da importância dos Soft Skills.

Décadas antes, disse ela,  entrar no mercado de trabalho bastava um Hard Skills certificado. Nos tempos de hoje, os Soft Skills chegam a ser tão importante quanto os Hard Skills. Na sua abordagem, definiu os Hard Skills como competências técnicas adquiridas ao nível de ensino e da experiência prática, comprovadas por um certificado, “aquela que nos abre a porta do mundo profissional”. Quanto a Soft Skills, definiu as  como competências pessoais e sociais, ilustradas nas atitudes e habilidades para lidar com pessoas e obstáculos, “que nos permite manter o nosso trabalho com sucesso e satisfação”.

Mudar de profissão entre os 35 e 45 implica a atualização dos Soft Skills

Na opinião da facilitadora, os jovens que atualmente entram no mercado de trabalho já trazem essa perceção. A sua preocupação são as gerações anteriores de profissionais que investiu muito nos Hard Skills, sem a noção da importância dos Soft Skills e que se mantêm no mercado de trabalho. Referiu-se particularmente às pessoas dessa geração que estão a pensar em fazer uma mudança profissional. “Os critérios técnicos e de especialização já não são suficientes para integrar ou reintegrar o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e flexível“, disse ela convicta. Agora, além do currículo e documentos, os candidatos terão que provar um conjunto de sensibilidades, atitudes e comportamentos não tangíveis,  mais perceptíveis, que vão fazer a diferença no seu sucesso profissional como no da própria organização que o contrata.

Por exemplo, no caso de uma enfermeira, o desenvolvimento de Soft Skills é essencial ao lado do Hard Skills. É a sua a inteligência emocional, a confiança e a proximidade que a poderão tornar uma grande enfermeira junto dos pacientes, persuadindo os a comportamentos que encurta o caminho da cura e reduz custo para a organização.

Por isso, disse ela, “costumo aconselhar as pessoas com mais de 40 anos a fazerem uma atualização dos Soft Skills para uma maior adaptabilidade às mudanças no contexto profissional, sobre tudo lidar com novos profissionais que vão chegando com uma perceção totalmente diferente na forma de saber, saber fazer  e saber fazer acontecer”.

A repressão das emoções tem efeito panela de pressão

Abriu um espaço de debate onde cada uma expressou a sua relação com o desenvolvimento pessoal. Julieta não disse mais nada. Recolheu-se do choro compulsivo para soluços inconsoláveis, voltando-se para a sua concha, escondida no seu olhar lacrimejante. Mas nada será como dantes, observou a facilitadora, convicta de que a explosão de emoções reprimidas foi o despertar da consciência.

A facilitadora contou histórias de profissionais que foram contratados pelas suas qualificações técnicas e dispensados pela falta de habilidades pessoais que lhes permitem a resiliência para enfrentar os obstáculos e a flexibilidade para lidar com as pessoas e situações inesperadas.

Porque o autoconhecimento é o abrir da porta para o desenvolvimento pessoal, a facilitadora sugeriu que procurássemos compreender as habilidades ou sensibilidades que precisamos desenvolver que nos permitem influenciar positivamente o nosso meio, seja ele profissional seja ele pessoal.

Essas, segundo a facilitadora, serão as competências cada vez mais valorizadas, num mundo em que as máquinas estão progressivamente a substituir pessoas, nas tarefas mais rotineiras. Para ela, não há dúvidas que os Soft Skills são fundamentais no desenvolvimento profissional e no caminho a percorrer até atingirmos o sucesso, até porque, disse ela, as pessoas que têm um elevado grau destas competências, desenvolvem as suas Hard Skills muito mais facilmente. Na sua opinião, pessoas com elevado índice de Hard Skills e um baixo índice de Soft Skills, tendem a ter uma maior resistência a mudança.

A facilitadora sugeriu uma atualização dos nossos Soft Skills com especial atenção para os abaixo indicado, por terem acima de tudo impacto também na vida pessoal. A forma, cada uma vocês vai encontrar a sua, referindo a workshops, seminários, retiros, palestras para quem gosta de ações coletivas e para quem prefere individualmente, um processo de coaching.

Os Soft Skills prioritários

Resiliência

Capacidade de manter o foco na solução quando surgem obstáculos e adversidades. Permite-nos lidar com o insucesso e encontrar uma estratégia para vencer, sem perder a motivação

Inteligência emocional

Capacidade de reconhecer e avaliar os nossos sentimentos e os dos outros, bem como de lidar com eles. É essencial no mundo profissional onde se lida com muitas pessoas e com diferentes cenários.

Flexibilidade

Consiste em conseguirmos desafiar o pensamento primário, automático, flexibilizando a memória e a perceção para elaborar interpretações alternativas e saber adaptar-nos às diferentes situações.

Comunicação eficaz

Facilita novos contactos e permite-nos estabelecer e manter relações positivas e profícuas com quem nos rodeia. Ajuda-nos a influenciar mais facilmente as outras pessoas e vender melhor as nossas ideias, projetos, produtos e serviços.

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