Somos as histórias que contamos

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Paulo, administrador de uma empresa pública, integrou um novo elemento na equipa, Ricardo, e pouco tempo depois ficou desiludido com a sua prestação. Raras vezes cumpria os objetivos dentro do prazo, nunca chegava a horas e tinha sempre um argumento que fundamentasse o acontecido. Ricardo ficava sempre bem na fotografia porque conseguia que todos compreendessem a sua razão, menos o Paulo que, por conta disso estava a ver a imagem da empresa beliscada.

O Administrador chegou a conclusão que devia dispensar o Ricardo, apesar de ser uma pessoa que conhecia há muito tempo, de quem era amigo e até tinha uma relação familiar. Isto porque, Ricardo estava a colocar os objetivos do departamento e a imagem da empresa em risco e ainda por cima estava a abrir o espaço para a atitude de desculpa e desleixo na equipa. Decidiu consultar um especialista do comportamento humano para se aconselhar, antes de tomar a decisão.

Ficou intrigado quando o especialista fez-lhe a seguinte pergunta. “Qual é a história que Ricardo costuma contar?”

Esforçou-se por lembrar das últimas, mas como estava aborrecido com ele, quis recordar histórias antes da integração na equipa. Dos que se lembrava, as histórias do Ricardo tinha um padrão, sai sempre ileso dos sarilhos a que se mete, “conta com tanta graça” disse ele começando a rir só de lembrar. Começou a lembrar-se de histórias de enganos e ludibriar das pessoas para levar a melhor nas interações do dia a dia.

Valorizamos na vida o que valorizamos na história que contamos

O especialista pediu-lhe que partilhasse algumas dessas histórias. 

A primeira história, começou a rir antes de contar. A meio percebeu que era uma história para escapar de uma responsabilidade que não cumpriu e que saiu ileso e ainda lhe pediram desculpas por lhe terem cobrado.

A segunda, começou a contar a história como ele deu a volta um colega de trabalho colocando-lhe fazer a sua parte de tarefa e o colega a lhe agradecer por isso. Quando ia para a terceira, respondeu ao consultor. Eu já sei. O meu colaborador é um encantador de pessoas.

O consultor explicou que, segundo o seu mentor James Macsill, “as pessoas são as histórias que contam”. Para ele, a nossa narrativa ilustra o nosso perfil e define o nosso percurso e sucesso. Pediu-lhe para observar histórias que as pessoas próximas dele contam e associar isso ao sucesso e a contribuição deles. 

Quando começar a observar as histórias que cada um conta, começa a conhecer melhor as pessoas

Para que percebesse melhor, o consultor deu os seguintes exemplos:

Pedro está sempre a contar histórias de como as pessoas são falsas e como ele está sempre a desmascará-las com a verdade e como lá no trabalho ninguém gosta dele, mas ele não se importa, que as pessoas já não o surpreendem porque não prestam. As histórias dele trazem sempre uma vítima coitada atropelada por um vilão mau.

Mário conta a histórias de como o seu trabalho é desafiador, como os colegas o ajudam, como o seu patrão é generoso, como ele aprecia aprender coisas novas e como as pessoas as vezes o surpreende pela positiva. As histórias do Mário trazem sempre pessoas que estão a lutar para vencer obstáculos e que maior parte das vezes consegue vencê-los.

“As pessoas ilustram inconscientemente as suas atitudes através das histórias que contam e das suas narrativas”, sublinhou o consultor.

Quem são essas duas pessoas? Qual delas gostarias de ter por perto? Qual delas tem a probabilidade de ter maior sucesso? Qual delas, querias levar para a tua empresa e tornar-lhe teu sócio? O que pode fazer para transformar cada um deles? Paulo ficou curioso com as perguntas.

Atiçou-lhe a mente e começou a lembrar das histórias da tia Amélia que todo mundo lhe trai e não tem amigos, da história o amigo jerónimo que tem sempre uma história engraçada dos seus animais de estimação e está sempre bem-disposto, da Ana que está presa na traição do marido que abandonou há mais de 5 anos e não consegue envolver-se com ninguém, da
Diana que partilha histórias de ódio sobre os chefes e realmente nunca ocupou lugar de chefia. Paulo começou a pensar nas suas próprias histórias e arregalou os olhos, colocando a mão na boca. Pensou que podia não ser necessário dispensar Ricardo, mas chamar-lhe à consciência das suas atitudes e comportamentos e das suas próprias histórias.

O peso das expressões usadas com mais frequência

O consultor pediu ainda para ele observar algumas expressões utilizadas com frequência pelas pessoas à sua volta e associar às atitudes habituais e à evolução da pessoa.  

As pessoas que usam frequentemente (não, mas, se, queria, gostaria, não dá, é impossível, é difícil, eu não consigo,  não posso, eles que resolvam, eu não tenho culpa se, eu vou tentar, espero que, eu disse que ia tentar…), tem um tipo de resultados e as que usam (eu quero, eu vou, eu sinto que, e /ou, a responsabilidade é minha, eu consigo, é possível, eu vou fazer, eu me comprometi,  eu vou resolver, eu decidi, eu vou me esforçar, eu sei que vou…) tem outro tipo de resultado, frisou o consultor.

O administrador meteu a mão na cabeça e fitou o consultor com uma expressão “como não me apercebi disso antes?” Disse convicto: “não imagina os problemas que teria evitado, se se soubesse disso antes”.

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