Exaustão profissional no pós COVID-19

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“As pessoas estão a trabalhar mais horas. Estão exaustas devido à pressão de provar o estão a trabalhar ou que estão a ter resultados,” disse uma colega durante a reunião da equipa, partilhando a sua perceção de falar com outros profissionais que se encontram em tele-trabalho. Esta colega que é psicóloga tem receio que muitos profissionais podem vir a entrar em burnout no pós COVID-19, devido a excesso de pressão que estão a viver agora, pela gestão de trabalho em simultâneo com a gestão da família, crianças pequenas em casa e em telescola. “Uma colega de faculdade ficou de baixa por ter um aumento abrupto de tensão arterial”, partilhou manifestando o seu receio de que possa se tratar de Síndrome de burnout e que os casos podem vir a aumentar na sua rede de relações.

A Síndrome de Burnout é um estado físico, emocional e mental de exaustão extrema e normalmente acontece pelo excesso de trabalho ou excesso de stress no trabalho.

Dados da European Agency of Safety and Health at Work  alertam para  o facto de em 2013, mais de 50% de Profissionais da EU reconheceram ter stress no trabalho. Nessa altura, 15% dos  trabalhadores portugueses apresentavam o síndroma de Burnout, o que aumentou para os 17,3%  em 2015.  A psicóloga Brigite Henriques lamenta que a “intervenção focada no trabalho está ainda aquém das expectativas e do que seria desejável” face a essas conclusões.

Segundo os especialistas dos Recursos Humanos e consultores de careira, a frustração profissional é normalmente despontada  por uma expectativa defraudada, um objetivo fracassado ou excesso de preocupações. Estas razões costumam dar início a um corolário de insatisfações que, não travadas ou desviadas, podem desaguar na desmotivação, doenças psicológicas e em casos mais agudos, chegar a Burnout.

A frustração alimenta a insatisfação

A frustração pode paralisar a pessoa quando ela não vê saída e deixa-se alimentar das insatisfações no local de trabalho, perdendo a energia para reagir.

Pode ser ainda a razão que leva uma pessoa ativa a recolher-se à sua zona do conforto. Isso acontece quando a pessoa não está habituada a adversidades e qualquer situação frustrante  deixa-a desmoralizada.

Contudo, reconhece-se em alguns profissionais a capacidade de transformar a frustração numa oportunidade de crescimento e mudança, o que muitas vezes funciona como a impulsionadora para o degrau seguinte.

Sinais de alertas

1. Stress gerado pela pressão para resultados: – Quando a pessoa sente que está no seu limite perante as exigências de resultados que não está a conseguir alcançar.

2. Bloqueio mental devido a excesso de preocupações: Quando a pessoa sente-se com o mundo aos ombros ao ter que gerir inúmeras questões de fundo em simultâneo. É o que está acontecer a muitas pessoas que estão a gerir trabalho e família na mesma sala e ao mesmo tempo, tele-trabalho e telescola: Há mães que elas mesmas são alunas de uma pósgraduação, a trabalhar e a gerir a escola dos filhos. 

3. Perfeccionismo: – Acontece quando a pessoa não consegue avançar devido ao elevado grau de exigência para consigo mesma e fica bloqueada se não alcançar a excelência desejada.

Estratégias para prevenir o bloqueio mental

Sabes, aquela pessoa que está com um tráfico mental acelerado, muitos pensamentos a circular de forma intensa e não consegue concentrar-se em nenhum; ou aquela pessoa que tem algo a lhe moer permanentemente o juízo, não consegue ter paz porque o assunto está sempre a tomar de assalto a sua mente, dominando o seu pensamento?

Para essas pessoas tenho 4 Ds. Delete – apagar, Do it – fazer já, Delay – calendarizar para depois e Delegate – passar a outra pessoa.

Delete – Apaga (Quando identificas um pensamento que não acrescenta valor, como por exemplo, o que não fiz e devia ter feito. Remoer esse pensamento não ajuda nada. Se é algo que possas fazer, então vá lá e faz e tira o assunto do teu radar.

Do-it – fazer já . Aqui, não vale a pena ficar a pensar nas coisas que tens para fazer ou nas coisas que estão a te incomodar. Por exemplo, o teu chefe deu-te uma orientação que não compreendeste. Em vez de ficar a remoer isso, liga logo para o teu chefe e pergunta. Nem imaginas o espaço que libertas, pois a dúvida é das emoções que mais energia consome e mais espaço mental ocupa..

Delay – Atrasa ou coloca uma data na agenda para resolver isso, ou seja, imagina que há um assunto que está a te incomodar mas que não consegues dedicar o tempo suficiente para resolvê-lo neste momento porque estás ocupado com algo mais urgente. Então, veja um dia que consigas resolver e escreve na tua agenda, que nesse dia vais resolver essas questão. Quando ele vier a cabeça, em vez de pensar nele, pensa que vás te ocupar disso no dia que reservaste para tratar disso. Ele desaparece.

Delegate – Delegar – Entrega a quem de direito para resolver e desliga. Por fim, há um conjunto de assuntos que pode ser resolvido por outras pessoas, sobre tudo quando assumes o comando de uma equipa. Ainda que não estejas no comando de nenhuma equipa, há coisas que não estão nas tuas mãos e neste caso o melhor é recambiá-las para as mãos de quem as possam resolver. Por vezes são até tarefas que entregamos a outras pessoas mas mantemos ligados e até atrapalhamos quem está a fazer.

Por isso, podes vigiar a tua mente e aplicar um D a cada pensamento que aparecer e vês como vais sentir. 

As pessoas que começaram a praticar esta atitude começaram a fluir e sentirem-se mais flexíveis e resilientes perante os desafios que estamos a viver.

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