A prisão da realidade e o feedback

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November 3, 2021
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Quando não temos a consciência de nós, da nossa realidade, ficamos presas nessa realidade, nem tiramos proveito dela e nem livramos dos seus pecados. Charles Duhigg, no seu livro “A força do hábito”, relata-nos a história de como a prisão da realidade tira nos a percepção dela. Conta que inicialmente os ambientadores Breeze não tiveram sucesso de venda porque foram concebidos como anuladores de mau odor. “As pessoas que vivem em ambientes de mau odor não sabem que estão nesses ambientes, porque para elas, esta é a realidade. Só quem está de fora consegue percepcioná-la”. Isso ilustra o quão “peixe não sabe que vive na água”.

Isto também acontece connosco, no nosso contexto profissional e familiar, onde existem números pontos cegos. É aqui que o feedback exerce um poder transformador e nos liberta da prisão da realidade.

Durante a facilitação da dinâmica transformacional numa EQUIPA MAIS a minha garganta foi altamente atacada pelo ar condicionado. A hora do almoço, tive uma sensação de inflamação na garganta e comecei a ficar preocupada. Quando isso acontece ou fico rouca e sem a voz ou esforço demasiado a voz, o que a torna doloroso para mim e irritante e desagradável para quem me escuta. 

Eu não sabia disso até em 2018, a facilitar soft skills, tive um enorme esforço e o efeito da voz sobre as pessoas estava a ser altamente desagradável. Mesmo antes da avaliação final, uma das responsáveis da formação alertou-me em jeito de feedback o efeito da minha nela e nas pessoas. Esta alerta permitiu-me observar com mais atenção a expressão facial das pessoas e perceber o desconforto.

Cheguei a Lisboa e fui procurar ajuda com profissionais da área. Comecei com um professor de música e acabei por investir num processo de coaching de voz. 

Nesse treino ganhei a consciência dos lugares de onde a voz podia sair e fui treinando com regularidade os exercícios passado pela coach, até esse integrar esse treino como hábito.

Porque este feedback foi transformador?

Porque, no final do dia de facilitação, apercebi-me de que não fiz esforço nenhum e a garganta continuava desconfortável mas não dolorosa. Nesse momento apercebi-me que o treino de voz que recebi da minha coach de voz e a prática que vim fazendo ensinou a minha voz o caminho para sair de outros lugares do corpo fonológico, como da barriga por exemplo, de forma a poupar esforço à garganta. Percebi que o treino que fiz já se está automatizada e que a minha voz está a ganhar outro impacto nas pessoas que facilito.

A pensar nisso, vejo que se não fosse o feedback daquela pessoa, continuaria com as dores na garganta e atormentar os ouvidos das pessoas. Por isso sou lhe muito grata. Não vou dizer que, na hora, gostei de ouvir o que ela me disse. Custou realmente ouvir isso. Mas como tenho vindo a aprender, as coisas que nos custam tem recado para nós. Quando mais doer uma interação, maior a potencialidade de crescimento.

A melhoria da minha voz é um processo que está em evolução. Como já sei que existem desafios, eu mesma estou a me vigiar, procurando alcançar permanentemente a melhor versão dela. E isto é infinito, como o horizonte.

Se não tens abertura para o feedback, o que pode acontecer é que vives na prisão da tua concha até morreres, sem alterar a tua realidade. Não te esqueças que seja qual for os resultados que estás a ter agora, são consequências da consciência da tua realidade.

Se queres mudar a realidade, então procura ambientes seguros, com pessoas que confias e que estão mais evoluídas de que tu e peça a essas pessoas para te darem o feedback. Se queres avançar, precisas estar ligadas às pessoas que estão um paço à frente.

Se não fosse assim eu não teria esta e outras evoluções. Se não fosse assim, as pessoas já mais encontrariam a melhor versão de si mesmas, já mais evoluíriam.

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