Viver acima ou abaixo da linha

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“Numa escala de zero a 100, qual é percentagem da tua responsabilidade na resolução deste conflito que está a te gerar mau estar”? A resposta ilustra a facilidade ou dificuldade que a pessoa terá na resolução da situação . 

Quando coloco esta questão à pessoas que me procuram por causa de desafios nas suas interações pessoais, nomeadamente, quando estão a lidar com pessoas difíceis, percebo a facilidade com vão resolver ou não a situação nas suas respostas. Quando existe o regateio género “há mas, e se a pessoa continuar a, e se… , isso depende de…, mas se…” e por aí adiante, é sinal  de que a pessoa está a colocar nas mãos da outra, a resolução ou não da situação que lhe está a manter em desconforto.

Poucas vezes a resposta coloca o onus da responsabilidade sobre a pessoa em causa, e quando isso acontece, ela costuma fazer as seguintes verbalizações: Se eu mudar a forma de…, se eu deixar de valorizar…, se eu tiver uma conversa franca e manifestar que…, se eu procurar perceber porque este assunto incomoda a pessoa…, se eu procurar perceber o que a pessoa sente sobre… por aí a diante.

Há coisas que não depende só de nós. Mas há sempre uma parte que depende unicamente de nós. Tomemos por exemplo o “António” que não está a colaborar com a Joana, (nomes fictícios) na concretização de uma tarefa. Cada vez que António é chamado atenção, ele reage mal, discutem. António não faz a tarefa e Joana acaba por fazer o trabalho dele o que a deixa irritada, esgotada e sem energia para as suas restantes interações.

Isto leva-me ao raciocínio do coach Michael Neill que diz que existem três coisas na vida que devemos saber: “O que é da nossa conta, o que é da conta do outro e o que é da conta de Deus”.

O que é da conta de Deus

Ele afirma que não vale a pena focar naquilo que é da conta de Deus, porque não há volta a dar, como por exemplo, termos um cancro. É o que Stephan Covey, na sua obra os 7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes chama de “controlo inexistente” e sugere que podemos mudar a forma de lidar com ela, gerando a possibilidade de controlarmos o nosso estado de espirito sobre assunto, mas não controlar o assunto em si.

O que é da minha conta

No caso do António e da Joana, Neill defende que, seria da responsabilidade da Joana encontrar estratégias de lidar com o António de forma a que ele faça o que ela pretende. Assim sendo ela estaria a liderá-lo, o que Covey chama de influenciar. Não tendo o controlo sobre o comportamento do António, segundo Covey, resta a Jona apenas a possibilidade de influenciá-lo, o que na perspectiva de Neill, “isso sim é da conta dela”.

O que é da conta do outro

Neill defende que não devemos focar na responsabilidade do outro, mas sim naquilo que é da nossa responsabilidade, porque sobre isso temos o controlo. No exemplo de António e Joana, Joana não consegue mudar o António, mas pode mudar a forma de lidar com ele.

Temos que partir de princípio que o António tem vontade própria. A responsabilidade da Joana implica fazer o melhor que souber e puder, e no final pode nem conseguir o resultado pretendido. Neste caso, resta a ela perceber o que podia fazer melhor e aplicar na próxima vez. Isso chamamos viver acima da linha.

Quem acredita que as coisas que deseja estão nas mãos de outras pessoas, da sorte ou azar, corre o risco de nunca as conseguir porque não controla as outras pessoas nem a sorte e nem o azar. Isso pode ser uma forma de se desculpar. Quem tende muitas vezes se desculpar, acaba por se transformar em vítima. E vítimas não têm poder sobre si mesmas. Isso chamamos de viver a baixo da linha.

No caso em análise, lidera a situação o protagonista que assumir para si a responsabilidade de obter o que deseja, tirando o foco do outro.  

Covey sintetisa isso no circulo de influência e de preocupação, ilustrando que a nossa capacidade de tomar decisões eficazes e resolver problemas depende de onde estamos a colocar o foco, nas coisas que temos o “controlo”, como o nosso comportamento, nas que não temos o controlo, apenas podemos “influenciar”, como o comportamento do outro, ou naquilo que não temos controlo nenhum, o que Neill chama “coisas da conta de Deus”, ou seja circunstâncias que nos ultrapassam ou passado.

Para Covey, a concentração no que controlamos alarga a nossa área de influência e permite-nos tomar decisões eficazes em vez de perder-nos em bloqueios gerados por preocupações.

Quando dependemos dos outros

Beatriz Rubio ensinou me uma lição muito importante sobre a responsabilidade pessoal, através da ecossistema mediante a interação de alguns animais na natureza. O leão caça e come. As hienas comem do resto da caça do Leão. O leão caça quando tem fome. As hienas só comem quando o leão caçar. As hienas precisam alinhar o calendário alimentar delas com o do leão. Se o leão não caçar elas não comem. Ou seja, a vida delas dependem das ações do Leão. O que pergunto a si é o que procura ser na vida, Leão ou hiena?

Responsabilidade pessoal leva-nos ao compromisso. Compromisso torna-nos criativos. Criatividade tira nos da caixa e abre nos às alternativas alargando as possibilidades para chegar a onde queremos. Cada um de nós somos responsáveis pelas nossas escolhas e elas é que nos trouxeram até o lugar onde estamos.

Se queres mudar o lugar onde estás, muda as escolhas. Se queres perceber porque fazes essas escolhas, podem ser importante procurares processos de autoconhecimento onde vais perceber a interferência dos teus valores pessoais nas tuas escolhas.

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